Implantação de Parque Tecnológico da Saúde é tema de debate na CLDF

A necessidade de se implementar o Parque Tecnológico e Industrial da Saúde no Distrito Federal, reuniu, na tarde desta segunda-feira (23), na Câmara Legislativa, trabalhadores da saúde, conselheiros, médicos, especialistas, estudantes e gestores da saúde e da educação do DF.

A audiência púbica foi proposta pelo deputado Chico Vigilante (PT-DF), e contou com um amplo debate sobre as medidas a serem tomadas para implementação do parque que tem como finalidade aprimorar e melhorar o atendimento na rede pública de saúde.

Entre outros pontos positivos apontados pelas pessoas que participaram da audiência, o parque permitirá a manutenção de equipamentos hospitalares, a produção de remédios e insumos biomédicos, e formação técnico-profissional em saúde.

Para o deputado Chico Vigilante, o debate foi de auto nível, pois reuniu em um só espaço diversos setores, que têm como único objetivo reimplantar o Parque no DF, a exemplo do que funciona em outros estados da federação.

“O parque já está funcionando, mas para que ele possa funcionar em sua plenitude, ele precisa de um recurso da ordem de R$ 10 milhões de reais, o que é muito pouco para um orçamento de R$ 40 bilhões de reais, que o GDF tem hoje”, comparou o parlamentar que, mais uma vez, assumiu o compromisso de ajudar na implementação do parque para o DF.

O secretário de Saúde do Distrito Federal, Fábio Gondim, falou da necessidade de reativar o parque tecnológico, pois existe na rede uma demanda reprimida de manutenção e fabricação de equipamentos hospitalares.  Para ele, a implantação do parque, além da rede de saúde, envolve outros setores, como a educação e a capacitação profissional.

Segundo pontuou Fábio Gondin, quando se quebra um equipamento, a rede de saúde fica refém de empresas que dificultam a manutenção dos mesmos, como os tomógrafos. “Existem cursos de capacitação, mas os alunos não encontram locais para desenvolver habilidade para formação. Com o parque daremos aos jovens a possibilidade de evoluir nas suas carreiras. Poderemos capacitar e treinar universitários que terão como fazer seus estágios no DF”, enfatizou.

Por sua vez, o reitor do Instituto Federal de Brasília (IFB), Adilson de Araújo, pontuou a necessidade da implantação do parque, uma vez que o instituto, especificamente o campus de Ceilândia, desenvolve cursos de saúde e é capaz de formar técnicos na área de manutenção de equipamentos de saúde.

Já o ex-secretário de saúde do DF, Jofran Frejat, lamentou o fechamento do parque que, segundo ele, no passado, teve um papel importante na eficiência do serviço prestado a saúde pública da capital. Para ele, todos assistiram inertes a precarização do serviço.  “Assistimos a desconstrução da saúde pública, numa área onde já fomos referência nacional. É difícil criar uma boa reputação, mas o mais difícil ainda é restaurar uma boa reputação”, pontuou o ex-secretário.

Frejat também se mostrou satisfeito com a tentativa de reativar o parque, “pois tem condições, só basta querer e motivar as pessoas a fazer um bom trabalho. Eu tenho certo que o trabalho em saúde é extremamente exaustivo, mas ele é extremamente gratificante. No passado, fizemos um trabalho que correspondeu ao interesse da sociedade”, destacou.

O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, também falou do apoio do setor produtivo para a implantação do Parque. “Existe um corpo técnico, qualificado, formação de trabalhadores para a produção de insumos necessários o ambiente hospitalar. É muito importante para a geração de novas oportunidades para a formação de técnicos voltados para essa área de saúde, na área da ocupação e formação de nível elevado”, destacou.

Ao pontuar a urgência para implantação, o presidente do Conselho de Saúde do DF, Helvécio Ferreira, destacou que além da estrutura, falta aos profissionais de saúde equipamentos hospitalares e insumos indispensáveis à prática laboral. Ele citou casos de equipamentos e até mesmo de macas que quebram e ficam paradas no Hospital de Base, deixando os usuários em filas de espera por atendimento.

Histórico – A saúde do DF já teve em sua estrutura o chamado “Parque de Apoio” e foi desativado com o fim da Fundação Hospitalar do DF em 2000.

Nesta época este Parque existia em plena atividade, onde funcionava um sistema de gerência de manutenção preventiva e corretiva, treinamento de pessoal e formação de técnicos da rede aptos a atuarem na manutenção em diversos tipos de equipamentos hospitalares. Ao ser desativado, as atividades realizadas nesta unidade foram gradativamente sendo absorvidas por empresas que prestam serviços a SES-DF. Neste novo modelo proposto, a saúde do DF retomará essas atividades usando sua própria estrutura e pessoal.

Por Veronica Soarez / Assessoria
Foto: Marcos Paulo Lima / Assessoria

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