IMPERIALISTAS DE PLANTÃO COLOCAM LENHA NA FOGUEIRA

Se os países latino americanos se distanciarem um dos outros, estarão favorecendo os interesses dos Estados Unidos. Esta curta frase, dita recentemente por Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, mata a charada dos históricos problemas da América Latina e indica o caminho: a única saída é nos unir contra o inimigo comum.

Mas para isso é necessário, em primeiro lugar, entender quem, dentro do país, representa os interesses do inimigo. Os indícios são claros mas a cortina de fumaça criada pelos defensores das elites e seus privilégios confunde setores da população.

É sintomática a declaração publicada ontem em seu Facebook por Erick Bretãs, diretor de Mídias Digitais, da Rede Globo de Televisão,  que já ocupou o cargo da jornalista Sílvia Faria, a mesma que há duas semanas por  e-mail proibiu a seus subordinados  de citarem o nome de FHC em todo e qualquer noticiário da emissora sobre a operação Lava Jato.

Bretãs acha que Dilma deve ser objeto de impeachment e avisou que participará da manifestação pela queda do governo eleito há três meses. Agindo assim podemos imaginar como selecionou de maneira exemplar, para a direção da empresa, as informações das reportagens quando ocupou outras posições de chefia na emissora. Quanto descaramento!

Ele acusa Dilma de corrupção mas com certeza  não está contra a manutenção da garantia da Globo, uma concessão pública, de receber cerca de meio bilhão de reais ao ano de publicidade federal (sem considerar a publicidade dos governos estaduais), com o dinheiro do contribuinte. Claro que não, porque sem ele, a Globo fecharia as portas e nosso direitista perderia seu emprego onde tem o direito de mentir e pedir o impeachment da presidenta eleita, mesmo sem nenhuma prova concreta contra ela.

Quantos direitistas a mais, vassalos dos americanos e cumpridores de pautas vendidas,  saírão travestidos de jornalistas as ruas para se manifestar contra um governo legítimo? Quantos mais salvadores da pátria usarão nomes que um dia honraram a Nação como Teotônio Vilela para atacar a democracia ?

O Instituto Teotônio Vilela – cujo estatuto indica como objetivos  formular políticas públicas para o PSDB – agora nas mãos de Aécio Neves, transformou-se em aparelho tucano para tramar o golpe contra um governo eleito democraticamente.

Nesta segunda-feira um texto do instituto qualificou Dilma de chefe de facção e mãe do petrolão e acusou-a de cumprir papel num script que lhe foi ditado pelo marketing e pelo seu tutor. Em se tratando de Aécio Neves e sua turma, nenhuma surpresa.

Esta é a política pública do PSDB: insuflar brasileiros a atuar contra a democracia, contra uma presidenta eleita pela maioria dos votos. Simplesmente porque não aceitam a continuidade da luta pelo fim da desigualdade social; porque o que almejam a qualquer custo é a manutenção dos privilégios de classe no país e a entrega do Brasil e de nossa riquezas aos abutres do imperialismo.

Se empresas brasileiras forem penalizadas pela Justiça como um todo – e não especificamente os cidadãos que agiram como corruptores – quem sairá favorecido? empresas multinacionais interessadas  em vender para o Brasil o que já produzimos no mercado interno.

O que está sendo feito é exatamente isso. Os vassalos dos interesses internacionais no país estão agindo em sintonia para adubar a idéia do impeachment de Dilma.

Mujica está absolutamente certo. A estratégia do imperialismo não se atém ao Brasil, obviamente. É mundial, mas cabe a nós latino americanos enxergarmos  e destruirmos a teia com a qual tentam nos enredar desde o século passado, a custa de mortes, suor e sangue dos trabalhadores e seus defensores.

Por que será que as mesmas personalidades políticas  que falam mal de Dilma, usam a expressão “querem instalar aqui uma república bolivariana“ dando à frase a pior conotação possível?

Obviamente porque são contra o fortalecimento do Mercosul. São contra a união dos paises latino americanos porque unidos somos mais fortes para combater sua política que tem como prioridade o lucro e não os seres humanos.

Aqueles que apenas repetem como papagaios que não querem aqui uma república bolivariana fazem, eles sim, papel de marionetes e demonstram a mais completa ignorância a respeito da história e do papel de Simon Bolivar no lançamento das bases ideológicas democratas na maioria da América Latina.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco (1783-1830)  militar e líder político venezuelano, foi peça chave nas guerras de independência da América Espanhola do Império Espanhol.

Ele participou da fundação e foi presidente de 1819 a 1830 da primeira união de nações independentes na América Latina nomeada Grã-Colômbia. Durante seu curto tempo de vida, liderou  Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela à independência, sendo por isso  considerado na América Latina como um herói, visionário e revolucionário.

Se uma República Bolivariana na América Latina inteira hoje representar o fortalecimento do MERCOSUL, o fim da desigualdade dos povos, do analfabetismo, da miséria, a independência energética em relação aos países produtores de petróleo, a autosuficiência em alimentos e produtos industrializados, entre outras conquistas necessárias, esta república é muito bem-vinda.

Por que razão a mídia brasileira, especialmente a Globo e a Veja insistem em criticar a presidente da Argentina, Cristina Kirchner?

Não acontecem ao acaso as críticas a um governo que recuperou o crescimento econômico,  está renacionalizando suas fontes produtivas,  internacionalizadas na Era Menen, e valorizando o salário dos trabalhadores.

Globo e Veja engrossam o coro prepotente do sistema financeiro internacional, exatamente por Cristina ter renegociado, em bases soberanas, a dívida externa argentina. Uma decisão judicial nos Estados Unidos,  tenta derrubar toda uma renegociação aceita pela maior parte dos credores. Obviamente, o Judiciário dos EUA  fala em nome dos abutres das finanças internacionais.

Seguindo a mesma orientação imperialista nosso procurador-geral, Rodrigo Janot, vai aos EUA passar informações sobre o funcionamento da Petrobras ao Departamento de Justiça dos Estados  Unidos,  à Agência Federal de Investigação (FBI) e à Securities and Exchange Commission (SEC).

É claro que os EUA utilizarão os dados da maior estatal brasileira  para vender a  imagem de que está quebrada, afim de dar o bote em seguida. Nenhum veículo de nossa nobre imprensa  comentou os resultados “positivos “da visita de seis dias do súdito Junot e uma equipe de procuradores ao reino do imperialismo. Por que será ?

O que mais  apavora aos grupos de comunicação no Brasil é que Cristina, na Argentina, está provando que é possível democratizar os meios de comunicação.

No Brasil, tudo indica que a luta do ministro Berzoini será árdua e não poderá prescindir de um movimento popular forte e organizado porque se depender do presidente da Câmara, o peemebebista Eduardo Cunha, o tema nem entrará na pauta de votação.

No Brasil, assim como na Itália de 1990 com a Operação Mãos Limpas, finalmente o combate à corrupção chegou aos corruptores e mostrou que o esquema estava na maioria das vezes relacionado ao sistema eleitoral. Daí a necessidade de uma reforma política urgente hoje no país.

Na Itália, a devassa durou dois anos e expediu 2.993 mandados de prisão. Mais de 6 mil figurões tiveram contas e patrimônios dissecados , entre eles, 872 empresários , 438 parlamentares e  quatro  ex- primeiros-ministros.

Cerca de  1.300  réus foram condenados e apenas 150 absolvidos. Cinco grandes partidos, incluindo-se a Democracia Cristã, o Partido Socialista e o Partido Comunista,  simplesmente desapareceram do mapa político italiano.

Não podemos correr o risco de ver aqui o que aconteceu lá. A regressividade conservadora é uma possibilidade  real em sociedades desprovidas de representação política forte e organização social mobilizada.

O espaço que se abriu após o terremoto Mãos Limpas na Itália não encontrou forças mobilizadas e projetos organizados para responder aos anseios e necessidades da sociedade italiana naquele momento.

O Brasil de hoje deve encarar de frente este momento e aprender com os exemplos da história. Sem salvadores da pátria, sem radicalismos, sem violência. Precisa ir as ruas sim, mas não pelo impeachment de Dilma.

Traria resultados bem mais benéficos discutindo e lutando  pela reforma política, pela reforma tributária, pela democratização da mídia, pelo fortalecimento do MERCOSUL, pela união dos povos latino americanos em torno de bandeiras comuns e urgentes. Isso sim seria um avanço no sentido de radicalizarmos, ao que tudo indica, a fragilizada democracia brasileira.

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