Ex-secretário diz que plano de segurança não foi executado e comando da PM precisa se explicar

O ex-secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Distrito Federal Fernando de Sousa Oliveira,  que estava comandando interinamente a pasta no dia dos atos de depredação das sedes dos três Poderes em Brasília em 8 de janeiro (e foi exonerado dias depois, em função do episódio), afirmou hoje (2), durante depoimento aos parlamentares da Câmara Legislativa do DF (CLDF), que o governador afastado Ibaneis Rocha (MDB) lhe cobrou que fizesse quatro relatórios diários sobre os manifestantes durante o período de ausência do então secretário Anderson Torres.

Segundo ele, houve uma transição rápida para a entrada dele no cargo após a saída do seu antecessor, marcada apenas pela apresentação dele aos outros integrantes da secretaria quando foi nomeado, no dia 2 de janeiro. E no dia seguinte, dia 3, foi realizada reunião com integrantes de vários órgãos policiais do DF para discutir uma nova versão do “PAI” – plano de ações integradas de segurança, que costuma ser executado sempre em caso de eventos e manifestações na capital do país. “Pelas experiências bem sucedidas que essas forças policiais possuem com eventos como os desfiles e manifestações de 7 de setembro e posses presidenciais, o que posso dizer a vocês é que houve esse planejamento, mas com certeza ele não foi executado”, afirmou.

O ex-secretário executivo, que é de Brasília, disse que como Torres comunicou que viajaria para os Estados Unidos, na noite da sexta-feira (6) deixou o plano assinado pronto para ser utilizado, caso houvesse necessidade. E deu instruções a ele para que ficasse se reportando ao governador Ibaneis Rocha. Sobre o áudio apresentado pelo governador à Polícia Federal, do próprio o Fernando Oliveira tranquilizando e dizendo que estava tudo bem minutos antes das invasões, ele explicou que passou estas informações por ter sido dessa forma que as recebeu de dois grupos que estavam sempre se comunicando.

O primeiro, formado por dirigentes de todas as corporações policiais em atuação. O segundo, dos agentes dessas corporações. E contou que, assim que soube do que estava acontecendo, ele próprio correu para a Esplanada dos Ministérios e viu de perto que havia um contingente mínimo de PMs. Foi quando retornou para a sede da secretaria para passar as ordens a todos os comandos para reforço dos contingentes – o que levou à retirada dos manifestantes, mas bem mais tarde, depois que os três prédios públicos já tinham sido depredados – Congresso, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.

Explicações – “Não me cabe emitir juízos de valor aqui, mas eu acho que é preciso que o comando da PM explique os motivos pelos quais não colocou todos os militares de que dispunha nas ruas naquele dia como estava previsto ou sequer os manteve de prontidão, conforme se faz em planejamentos para eventos desse porte. E por parte das outras forças policiais, os motivos pelos quais tudo o que tinha sido elaborado no PAI não foi posto em prática”, afirmou.

O ex-secretário executivo afirmou também que embora tenha sido nomeado secretário executivo de segurança no Governo do DF, a convite do então secretário Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, ele não tem intimidade com o ministro. Policial federal de carreira, disse que seu contato com Torres se deu durante o período em que trabalhou lotado na pasta, nos últimos quatro anos, na execução de operações diversas.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos atos antidemocráticas tem como presidente o deputado distrital Chico Vigilante (PT), como vice-presidente a deputada Jaqueline Silva (Agir) e como relator, o deputado Hermeto Neto (MDB). Também integram o colegiado os deputados Pastor Daniel de Castro (PP), Robério Negreiros (PSD), Joaquim Roriz Neto (PL) e Fábio Felix (PSol).

 

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