Artigo- PEDIR AJUDA AO FBI SOBRE A PETROBRAS? COMO ASSIM?

A sociedade brasileira não está pensando no impeachment de Dilma Rousseff. Quem está insuflando com todo o seu potencial destruidor e entreguista uma minoria golpista a defender o tema é o PSDB e seus comparsas.

Temos exemplos de sobra e todos levam ao ninho tucano. Quando se trata de tentar esconder que a corrupção está há muito instalada e provar que este crime foi inventado pelo PT, a corja entreguista tem tentáculos no Judiciário, Legislativo, mídia familiar e meio empresarial agindo ativamente com táticas as mais sórdidas.

A estratégia atual é usar a Operação Lava Jato para enlamear a Petrobras como empresa brasileira e alcançar ao mesmo tempo dois objetivos de peso: criar condições para o impeachment de Dilma e substituir os contratos de empresas brasileiras fornecedoras de equipamentos e serviços por companhias estrangeiras. Isso só para começar. Depois vem a entrega do pré-sal. Simples assim.

É de estarrecer como agem cada vez mais abertamente. O que significa agora a visita do Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e um grupo de procuradores que atua na força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato viajar para os Estados Unidos, no ultimo dia 6, para pedir apoio das autoridades americanas nas investigações sobre as fraudes na Petrobras?

Como assim? por acaso a Polícia Federal entrou de recesso? Nosso Judiciário está mal das pernas? E pasmem, na agenda do grupo estão previstas reuniões com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Agência Federal de Investigação (FBI) e com a Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que fiscaliza o mercado de capitais americano.

Será que Rodrigo Janot vai providenciar a gravação das conversas com estes setores e colocar à disposição da PF brasileira? Ou vai guardar na gaveta e “divulgar” apenas trechos que considerar proveitosos à estratégia golpista?

Bom seria que as reuniões fossem abertas com a presença de diplomatas brasileiros e da mídia para saber quão didático o FBI pode ser em relação aos nossos próprios métodos de investigação. Ah, sim , eles gravam tudo nos satélites e podem gentilmente nos ceder as cópias…

Ou será que Janot tem interesses em passar para os americanos informações sobre o funcionamento da Petrobras para facilitar o bote, há décadas sonhado?

Muitos, como Janot faz agora, agiram nas sombras com o apoio americano para levar Getúlio ao suicídio, para derrubar Goulart e mandá-lo ao exílio. Agora não. Agem abertamente com a ajuda do FBI. Vamos permitir isso, quietos em casa?

O ministro do STF, Marco Aurélio, se mostrou incomodado esta semana com a maneira tendenciosa como está sendo encaminhada a Operação Lava Jato. Segundo declarações suas na imprensa, “A Justiça brasileira passa por um momento crítico, em que a prisão passou a ser regra e a liberdade, exceção entre os acusados. “O juiz acaba atropelando o processo, não sei se para ficar com a consciência em paz, e faz a anomalia em nome da segurança.”

Confessando-se impressionado com a condução coercitiva de acusados, como no caso do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Marco Aurélio declarou que “A criatividade humana é incrível! Com 25 anos de Supremo, eu nunca tinha visto nada parecido. E as normas continuam as mesmas”.

O representante dos empregados no Conselho da Petrobras , Deyvid Bacelar, eleito há poucos dias, demonstrou que a grande massa de trabalhadores da maior estatal brasileira que o elegeu com 60% dos votos, não está gostando do que está acontecendo, defende maior participação nos destinos da empresa e mostrando consciência da importância de seu papel social.

Ele considerou “um absurdo” a declaração da Petrobras de que pode aumentar o número de companhias estrangeiras com quem trabalha, depois de suspender negócios com 23 empresas fornecedoras citadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O Brasil tem muitas outras empresas, ou não?

Para ele, a medida gera desemprego e prejudica o país. E há quem defenda dar emprego para os trabalhadores das multinacionais de olho na Petrobras, enquanto temos desemprego e inflação ? existe algum brasileiro que concorda com esta idéia ?

Felizmente os tempos mudaram e agora estão sendo instaladas as condições para se extirpar de vez a corrupção da maior empresa estatal brasileira. Por que ela existe há décadas e durante o governo de FHC estava lá e não há como negar.

Se ainda estivesse vivo, Paulo Francis teria hoje 84 anos e poderia contar esta história, mas tudo indica que o ataque fulminante que sofreu e o levou a morte aconteceu por tentar provar que existia corrupção da Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O jornalista não resistiu à pressão que contra ele fizeram para que calasse a boca, com um processo por dano moral que pedia uma indenização de 100 milhões de dólares.

De Nova York Francis denunciava a existência de corrupção da diretoria de Joel Reno, presidente da estatal no governo Fernando Henrique Cardoso, segundo o qual, existiam contas secretas na Suíça com o produto da corrupção.

À época, ficou clara a omissão do presidente Fernando Henrique Cardoso – amigo do jornalista de longa data – em desestimular Rennó e colegas da ação, acompanhado do eloquente silêncio da maioria dos colegas jornalistas, inclusive velhos amigos, que não saíram em seu apoio.

Por que será que a imprensa familiar brasileira e FHC estão sempre do mesmo lado ? Será que ambos defendem os interesses do capital internacional e das elites financeiras deste pais?

Esta semana o jornalista Luiz Nassif divulgou em seu blog uma informação de arrepiar os cabelos: um e-mail da diretora de jornalismo da TV Globo, Silvia Faria, cujo assunto era, Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato, dizia ” Atenção para a orientação Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

Segundo Nassif, proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes. O recado de Silvia se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.

No Jornal Nacional não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com seus fornecedores; mas no governo Lula, eram resultado de acertos políticos.

Entenderam ? É assim que funciona o PIG, tramando, distorcendo, mentindo descaradamente, tomando partido. Imprensa livre e ética são belos princípios mas no Brasil muitas vezes só existem no papel.

A imprensa de direita deste país deu o maior destaque ao parecer que FHC encomendou a Gandra, o representante de direita da Opus Dei, cuja reputação todos conhecem: recebe para dar pareceres encomendados. E fez o que esperavam, disse que existe fundamento jurídico para o impeachment de Dilma.

O jurista Dalmo Dallari em entrevista concedida esta semana à assessoria do deputado petista Paulo Teixeira, foi claro: “Esse parecer do Dr. Ives Gandra é absolutamente inconsistente. Ele cita uma porção de artigos e leis, mas não cita um único fato que demonstre a responsabilidade da presidente Dilma. O que ele está fazendo é uma aplicação da chamada doutrina do conhecimento do fato, ou domínio do fato, e que não é juridicamente aceitável”

Professor emérito da Faculdade de Direito da USP e especialista em Direito do Estado, Dallari chamou de absurda a aplicação da doutrina do domínio do fato no caso Petrobras e lembrou que, se fossem seguir a lógica sugerida por Ives Gandra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deveria perder seus direitos políticos e todos os senadores do país poderiam ser igualmente cassados.

Segundo ele, “A Constituição, no artigo 52, dá como atribuição do Senado ‘processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade'”, disse. “Portanto, se Gandra considera que, mesmo sem comprovação de conhecimento direto, existe a obrigação de agir, então essa obrigação existe para os senadores também.”

Acaba de ser publicada no jornal francês Le Monde uma matéria a respeito da empresa francesa Alstom, que atua no metrô brasileiro, e que, segundo o jornal, já em 1998 praticava corrupção no Brasil. Em 1998, o presidente era o Fernando Henrique Cardoso. Segundo Dallari, então, pela mesma lógica do conhecimento do fato, ele deveria perder os direitos políticos.

Enquanto isso, na bolsa, as ações da companhia experimentaram recuperação na segunda-feira, 9. Com a subida para US$ 53 no preço do barril, os papeis da estatal subiram 1,9%, o que indicou que a nomeação de Bendine já foi assimilada pelos investidores.

A verdade é uma só: não existe razão jurídica ou política para o impeachment de Dilma. O povo brasileiro não vai assistir calado e impassível a mais uma tentativa de golpe. Não agora que a sociedade está organizada e tem acesso a meios de comunicação outros que não apenas jornais, TVs e rádios controlados por aqueles que se consideram proprietários deste país e desconhecem o real significado do que é democracia.

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