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Artigo: A imprensa mundial escancara o que a mídia brasileira esconde

* Por Chico Vigilante

No Brasil a grande imprensa sempre esteve do lado das elites. Esta é a  dura e triste realidade da história deste país no último século. O que O PT deve pode fazer  para mudar esta situação ?

A direção do grupo Globo retrocedeu em relação à campanha de impeachment da presidenta Dilma, acompanhando vozes de líderes da elite brasileira que pregaram o diálogo em busca do melhor para o Brasil.

Se esqueceram, no entanto, de explicar para seus editores e jornalistas qual era exatamente o teor da proposta. De qualquer maneira, essa não seria uma missão fácil, uma vez que todos sabem que o grupo não mudou, nem mudaria de lado assim repentinamente.

Ficaria difícil explicar que João Roberto Marinho só disse que Dilma deveria permanecer até 2018 porque foi lembrado que se continuassem a colocar lenha na fogueira e o circo pegasse fogo a coisa poderia ficar sem controle, e uma vez instalado o caos, a possibilidade de sucumbirem junto não era pequena.

Não pregar o impeachment abertamente é uma coisa. Continuar criticando e serem tendenciosos na cobertura de acusações envolvendo políticos de oposição e principalmente o senador Aécio Neves, ai é outra coisa bem diferente. É isso que fazem.

Enquanto agências internacionais, jornais e mídias dos cinco continentes estampam em manchetes que o candidato derrotado das últimas eleições, Aécio Neves, é suspeito de corrupção, e denunciado por Alberto Yousseff, no Brasil as informações são discretas e dadas em páginas internas, e nos meios eletrônicos desaparecem rápida e misteriosamente.

Ao contrário do que prega a mídia familiar brasileira, o Brasil é um país de imenso potencial de crescimento, membro dos Brics e com todas as condições de vencer este momento de crise internacional.

Exatamente por isso que os olhos do mundo estão voltados para nós. Nossa situação econômica e política – uma influenciando a outra – interessam ao planeta.

No mundo, as manchetes são claras e as matérias completas com os pingos nos is.

Na Inglaterra, a agência Reuters afirma em manchete que Yousseff testemunha que candidato à presidência recebeu suborno (Brazil money launderer testifies former presidential candidate took bribe).

Na Espanha, a Europa Press afirma: Testemunha contra Aécio Neves: Condenado por lavagem de dinheiro acusa Aécio de receber subornos (Testifica contra Aécio Neves: Condenado por lavado de dinero en Brasil acusa a Aécio Neves de recibir sobornos).

Da Argentina o jornal Clarin escreve, Petrobras: afirmam que o líder da oposição Aécio Neves recebeu propinas ( Petrobras: afirman que el líder opositor Aécio Neves recibió coimas).

O americano The New York Times, e o Business Insider  coincidiram na manchete :Autor de lavagem de dinheiro brasileiro testemunha que candidato presidencial recebeu propina ( Brazil Money Launderer Testifies Former Presidential Candidate Took Bribe).

Da Rússia, o  Sputnik News estampou na seção latina, O líder da oposição no Brasil também foi acusado de corrupção  (El líder de la oposición en Brasil también fue acusado de corrupción).

No Brasil, no entanto, quem liga a tevê, lê o jornal, ou os veículos de comunicação do grupo Globo ou outro da mídia familiar, não vê grandes mudanças. As críticas são as mesmas e a culpa é sempre do PT e da Dilma, pela corrupção, pela crise econômica, etc.

O que podemos fazer para mudar isso ? É necessário organizar a sociedade, mas antes de mais nada reorganizar, recriar o Partido dos Trabalhadores.

Se o PT pretende se reinventar, terá que abandonar a postura altiva onde se encontra hoje e voltar a pisar o mesmo chão do povo brasileiro.

Esse povo que hoje tem mais carros, mais celulares, mais filhos nas universidades, mas nem tanto a consciência crítica, e organização social e política necessárias para garantir a manutenção das conquistas dos últimos 12 anos de governos petistas.

Essa tarefa de nos refundar e liderar os movimentos sociais e os trabalhadores pela manutenção e radicalização da democracia no Brasil é nossa. Não podemos e não vamos, espero, nos furtar a ela.

* Chico Vigilante é deputado distrital pelo PT-DF