A importância do trabalho da coleta de lixo e a discriminação com os trabalhadores foram discutidas em sessão solene realizada na manhã de hoje (15), no Plenário da Câmara Legislativa. A cerimônia foi realizada em homenagem ao Dia do Gari, comemorado no dia 16 de maio. Dezenas de garis e servidores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) participaram do evento, um dos mais belos já realizados pela Casa.
A iniciativa foi do deputado Chico Vigilante (PT) para homenagear a categoria. O deputado afirmou que, muitas vezes, a categoria dos garis passa desapercebida, mas que, no entanto, é uma das grandes responsáveis pela qualidade de vida dos cidadãos do Distrito Federal. “O gari enfrenta o drama da invisibilidade pública. É apenas enxergada a função da limpeza e, não, a pessoa do gari”, afirmou
A sessão começou com a exibição de um vídeo com entrevistas aos garis de Brasília. O documentário mostrou a visão dos próprios garis de como eles são vistos pela sociedade, deus sentimento, necessidades e apreensões no trabalho diários da conservação urbana.
Chico Vigilante lamentou a histórica discriminação da sociedade para com os garis. O deputado conta que em muitas oportunidades, as pessoas se negam a darem água para beberem. Também assusta, na visão do deputado, a discriminação que os trabalhadores da limpeza urbana sofrem em ônibus e demais espaços públicos. “É necessário que o gari seja valorizado pela importância que ele tem na sociedade. Que o gari seja valorizado pela importância do serviço que presta à sociedade”, disse o parlamentar.
O distrital também informou que vai elaborar um Projeto de Lei para instituir no âmbito do Calendário Oficial do Distrito Federal o feriado alusivo ao Dia do Gari.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza Urbana (Sindlurb), José Claudio de Oliveira, embora o trabalho de limpeza das cidades seja essencial, os garis ainda sofrem muitos casos de discriminação. “O gari é um profissional invisível. Basta o gari sumir e o lixo aparecer, a população começa a reclamar”, afirmou.
De acordo com José Cláudio, o trabalho dos garis do DF tem colocado Brasília como uma das cidades mais limpas do Brasil.
A presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Eliana Campos, afirma que apesar dos casos de discriminação, há uma grande parcela da população do DF que reconhece a importância do trabalho dos garis. Ela conta que é prioridade do governo o serviço de limpeza pública, tanto que, os pagamentos são feitos em com prioridade e em dia. A presidente também afirmou que o SLU tem como objetivo de tornar a cidade mais limpa e torná-la uma das mais limpas do Brasil.
Maria Isabel Caetano, presidente do Sindiserviços, traçou um paralelo na discriminação entre os trabalhadores da limpeza urbana e os terceirizados. “O trabalhador terceirizado também sofre muita discriminação”, atestou. “Está faltando muito o senso de respeito e de humanidade para com os trabalhadores. Porque pagam os mesmos impostos e são brasilienses”, afirmou.
O diretor da CUT-DF, Julimar de Oliveira, ressaltou o espirito de união entre os integrantes do sindicato e dos trabalhadores. Para ele, o trabalho de fortalecimento da categoria somente avança quando os trabalhadores estão unidos. “É importante essa unidade entre os garis”, afirmou.
Para o secretário de finanças do Sindlurb, Raimundo Moraes, os garis sofrem além da discriminação com o assédio dentro do local de trabalho. Ele defende que as escolas realizem um trabalho com os estudantes para pôr fim à discriminação contra os garis. “A discriminação tem que ser combatida nas escolas. Porque nas famílias, os pais dizem para os filhos: ‘se você não estudar, vai virar lixeiro’”, afirmou.
Raimundo defende, no entanto, que a principal maneira de reconhecer a categoria é melhorar a remuneração, o plano de saúde e condições de trabalho. “É dando dignidade e condições de trabalho para que tenham uma vida mais longa”.
A deputada federal Erika Kokay (PT) defendeu a apresentação de um projeto que regulamente a jornada dos trabalhadores em limpeza urbana para 40 horas semanais. A parlamentar também defende a instituição do feriado alusivo ao Dia do Gari no âmbito federal.
Também preocupada com a discriminação contra os garis, Kokay informou que vai trabalhar na Câmara dos Deputados para a criação de uma lei para tornar crime essa discriminação. “Quem discriminar o gari terá que responder criminalmente”, defendeu.
Reformas do governo
Nas falas dos debatedores também houve espaço para muitas críticas às reformas da previdência e trabalhista trazidas pelo governo federal.
Chico Vigilante criticou com veemência as reformas. Para o distrital, a obrigação de 49 anos ininterruptos de contribuição vai impossibilitar a aposentadoria. “Com essa reforma, ninguém vai se aposentar. Essa é a realidade”, avalia.
Para Maria Isabel, do Sindiserviços, a reforma vai atingir todos os trabalhadores brasileiros, principalmente, o trabalhador terceirizado. Ela avalia que as condições de trabalho serão análogas à escravidão. “Estamos chegando a uma escravidão sem chibata, tronco e capataz”, afirma.
No entendimento de Julimar de Oliveira, da CUT, a reforma trabalhista proposta pelo governo vai modificar a CLT em 100 itens, o que trará prejuízos para o trabalhador. “Essa história de modernizarem a CLT é conversa fiada para retirar os nossos direitos”, afirmou.
Para Raimundo Moraes, secretário do Sindlurb, o trabalhador ainda está protegido por causa da CLT, mas com essa reforma, não mais estará. “Hoje, quando uma pessoa atinge os 40 anos de idade, ninguém mais quer contratar. Como vai conseguir se aposentar se não tem como contribuir”. Pergunta. “Querem salvar o país massacrando o trabalhador”.
Para o deputado Agaciel Maia, as reformas do governo são perigosas. Ele avalia que o projeto do governo não leva em consideração as diversas diferenças nas expectativas de vida nas regiões do país. “Não é correto estabelecer um teto baseado nos Estados com melhor expectativa de vida, sendo que a maioria não atinge a base, não está correto”, defendeu.
Histórico
O Dia do Gari é comemorado anualmente em 16 de maio, em todo o Brasil. O termo “gari” surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que ficou conhecido por ser o fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do Rio de Janeiro, em 1976. Desta forma, os cariocas quando queriam que as ruas fossem limpas após a passagem dos cavalos, chamavam os “garis”.
A Sessão Solene em homenagem ao Dia dos Garis foi transmitida ao vivo pelo Facebook oficial do deputado Chico Vigilante.
Galeria de fotos


