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Emoção e críticas à reforma trabalhista marcam entrega de título de Cidadã Honorária à sindicalista Isabel Caetano

A sindicalista Maria Isabel Caetano foi agraciada na noite de terça-feira (02) com o título de Cidadã Honorária de Brasília. A confraria foi entregue pelo deputado Chico Vigilante em uma cerimônia com momentos de emoção e críticas às reformas previdenciária e trabalhista. O evento contou com a presença de familiares e diretores de diversos sindicalistas do Distrito Federal e do Brasil.

A cerimônia teve início com a exibição de um vídeo com depoimentos à homenageada feitos por familiares, parlamentares e companheiros de longa data do movimento sindical.

O deputado Chico Vigilante, autor da proposição, se disse muito feliz com a oportunidade de conferir a comenda à sindicalista. O deputado, apesar das inúmeras comendas conferidas pela Câmara Legislativa, exaltou em especial o título conferido ontem.

“Essa Casa já homenageou muita gente, mas talvez ninguém mereça mais o título de cidadão honorária do que a Dona Isabel. Ela faz parte da essência dos trabalhadores desse país”, disse Chico em seu discurso.

Chico criticou com veemência a reforma trabalhista proposta pelo Governo Temer e em trâmite no Congresso Nacional. Na visão do deputado, a reforma vai precarizar ainda mais as relações de trabalho, principalmente, os trabalhadores terceirizados. “Essa maldita reforma que está em tramitação. Os terceirizados vão para o mundo da barbárie. No dia em que uma empresa quebrar, os trabalhadores não terão como receber”, afirmou.

A homenageada da noite, Isabel Caetano, lembrou os tempos de grandes dificuldades para o sindicato. Foi nos anos 90, quando ela decidiu entrar na disputa pelo Sindiserviços para representar os colegas trabalhadores.

Dona Isabel, como é chamada no movimento sindical, também teceu críticas à Reforma Trabalhista. De acordo com a sindicalista, com a aprovação da reforma, o país irá regredir nas relações trabalhistas. “Passou a reforma e chegaram o tronco, a chibata, o ferro e o capataz”, avaliou.

Para a deputada federal Erika Kokay, o título conferido a Dona Isabel é uma concretização daquilo que já de reconhecimento público. “A Câmara Legislativa concretiza aquilo que nós todos já dávamos como realidade. Brasília se enriquece com esse reconhecimento”, afirmou a deputada.

Kokay conta que a pessoa de Isabel Caetano está totalmente atrelada às funções desempenhadas à frente do Sindiserviços e que é comum a associação. “Seu nome se confunde com o do sindicato. A sua vida se incorporou à luta do sindicato”, avaliou.

O Procurador Regional do Trabalho, Adélio Lucas, contou que era um momento de alegria porque homenageava uma valorosa mulher do povo. “Não é comum homenagear os nossos iguais. Apenas são homenageados os figurões”, disse.

De acordo com o procurador, a homenagem é simbólica porque é realizada em um momento difícil, onde direitos trabalhistas estão sendo retirados apenas pelo falso preceito modernização. “Apesar da grande relevância dos terceirizados, a categoria é pouco valorizada”, avaliou.

Para o advogado do Sindiserviços, Jomar Moreno, o título de Cidadã Honorária a Dona Isabel é um dos mais justos oferecidos pela CLDF. O advogado também criticou o momento de retirada de direitos com a reforma trabalhista. “Ontem (segunda-feira, 1º de maio), a CLT completou 74 anos de idade. Uma Lei criada em 1943 e que até hoje não é respeitada e nem cumprida”, avaliou.

De acordo com o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Julimar Nonato, o título entregue ontem é muito justo. “É muito justo oficializar esse título à Dona Isabel. É uma guerreira que luta em prol dos trabalhadores”, destacou. Nonato lembrou que uma das primeiras ações de Dona Isabel, como presidente do Sindiserviços, nos anos 90, foi filiar o sindicato à CUT.

Um histórico de lutas

Nascida em Paracatu, interior de Minas Gerais, Isabel Caetano ingressou no movimento sindical nos anos 1990 para tentar mudar os rumos da administração do sindicato que, à época se chamava Sindilimpeza. Em 1999, liderou a chapa que venceu a disputa pela direção da entidade com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Dona Isabel é referência nacional e internacional como liderança da CUT e da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs-CUT). Também é membro suplente da CUT no Conselho Regional do SENAC-DF. Sua liderança trouxe uma nova realidade política e patrimonial para o Sindiserviços.

Em julho de 2016, por seu dinamismo, liderança e consciência de classe, foi agraciada com o Prêmio MPT 10, concedido pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal e em Tocantins (MPT da 10ª Região DF/TO).

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