
Advogado dos patrões é repreendido por presidenta do tribunal
Terminou sem acordo a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (19) no Tribunal Regional do Trabalho entre os vigilantes e patrões. Com isso, vai a julgamento o dissídio coletivo.
Os empresários mais uma vez não apresentaram nenhuma proposta.
“Nenhuma tentativa de conciliação. Na verdade, vieram aqui com o objetivo único e claro de protelar as negociações”, afirmou na saída o deputado Chico Vigilante (PT).
O sindicato patronal ainda insiste em cláusulas que significam a implantação da reforma trabalhista na convenção coletiva. O Sindicato dos Vigilantes não abre mão.
“Os empresários ainda fizeram a proposta cínica de acabar com a database de 1º de janeiro”, contou o deputado.
Frustradas todas as tentativas de acordo, a presidente do TRT, desembargadora Maria Regina Guimarães, encerrou a fase conhecida como instrução, na qual são juntados todos os documentos do processo.
A seguir, o processo segue para o Ministério Público do Trabalho para que seja dado um parecer técnico. Em seguida, retorna ao tribunal para ser designado o relator do processo e ser marcado o julgamento pelo plenário.
Para o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Paulo Quadros, o momento das negociações ainda é muito difícil. No entanto, ele afirma estar confiante após a posição firme marcada pela presidenta do TRT.
“Tenho certeza de que os trabalhadores não vão sair prejudicados nessa sentença”, afirmou.
Reprimenda ao advogado – O principal ponto da audiência realizada há pouco, foi quando a desembargadora Maria Regina Guimarães, ao perceber a má-vontade dos patrões em negociar, determinou o prazo de 48 horas para apresentação de defesa.
O representante do sindicato patronal achou o prazo exíguo e solicitou 20 dias para apresentar a defesa.
De imediato a presidenta do TRT rechaçou a proposta e aceitou prolongar o prazo para 5 dias úteis, ainda sob protestos do advogado dos patrões.
“Foi muito interessante ver a posição firme da presidenta do tribunal, porque demonstra que ela também já observou que esses empresários só querem protelar e tirar direitos dos trabalhadores”, comentou Chico Vigilante.
Negociações – Desde outubro do ano passado, o Sindesv tenta, sem sucesso, aprovar a norma coletiva de 2018. No próximo dia 1º de julho, completam-se seis meses de indefinição.
Os trabalhadores reivindicam a manutenção da sentença normativa de 2017, um reajuste de 3,1% na remuneração, reajuste de 6,8% no auxílio alimentação, manutenção do plano de saúde e abono dos dias parados da greve de fevereiro.
Greve – Entre os meses de fevereiro e março, os vigilantes permaneceram em greve por 12 dias. Mesmo com a paralisação, os empresários não se dispuseram a negociar. No dia 12 de março, a categoria suspendeu a greve a partir da promessa de retomada das negociações sob a intermediação da própria presidente do TRT, Maria Regina Machado Guimarães.
De acordo com o deputado, como a greve dos vigilantes, realizada em março, não foi considerada ilegal ou abusiva, as empresas devem pagar pelos dias parados.


