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Chico Vigilante relata trajetória política e sindical em emocionante entrevista

Tem chamado a atenção a entrevista concedida esta semana pelo deputado distrital Chico Vigilante (PT) ao programa Fora do Canal, apresentado pelo jornalista Edson Charles, transmitido pelo You Tube. Num relato considerado emocionante por todos que acompanharam, o parlamentar relatou sua trajetória. Ele contou que foi o primeiro filho de uma família simples do interior do Maranhão, filho de uma mãe quebradeira de coco e um pai produtor rural. Ainda menino trabalhava na roça para ajudar os pais e muito jovem migrou para Roraima, onde trabalhou na construção civil. Em seguida veio morar em Brasília, onde se estabeleceu.

Aqui, Chico iniciou sua profissão de vigilante e começou a ter consciência política a partir das mobilizações que encampou para conseguir direitos para estes profissionais, como horas extras, novos uniformes e até mesmo evitar a instalação de salas para as quais muitos vigilantes eram levados para apanhar. Tido como “subversivo” pelo regime militar sem nunca ter incitado a violência, apenas por liderar as greves, foi preso várias vezes e chegou a ser objeto de muitas reuniões no Palácio do Planalto, quando durante a greve dos rodoviários em conjunto com os vigilantes, no início do governo Sarney.

“Enfrentei muitas dificuldades, durante as mobilizações vivi muitos dias com o dinheiro da ida e volta do ônibus para casa e almoçava apenas quando algum amigo me convidava, mas sabia que tínhamos de persistir naquela luta pela dignidade da categoria”, contou.

Vigilante foi eleito deputado federal nas legislaturas de 1990 e de 1994. Exerce hoje o seu quarto mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e é candidato a reeleição. Ele também contou detalhes sobre sua passagem pelo Congresso Nacional, quando chegou a levar um caixão de anjo – como se chama no Nordeste o caixão que enterra recém-nascidos – ao plenário para protestar contra a mortalidade infantil. Em outra ocasião, o parlamentar encheu três carrinhos de compras de supermercado para mostrar a disparidade do salário mínimo no país – carrinhos que foram proibidos de entrar no plenário pelo então presidente, Ibsen Pinheiro.

Contra desmandos – Chico relatou em detalhes os debates que travou, bem como as críticas que fez e faz ao Congresso e aos colegas parlamentares ao longo dos anos ao ver os desmandos da direita no país. Sobre sua família e a rotina atual, contou que mora há mais de 40 anos na mesma casa, na Ceilândia, de onde não quer se mudar. É casado com a mesma esposa, dona Lindalva, e tem três filhos.  Afirmou ainda que costuma percorrer ao longo das semanas várias escolas e participar de reuniões como as comunidades porque acha que o mandato parlamentar é muito mais do que a participação no plenário do Legislativo. Chico Vigilante abraçou com toda força o Distrito Federal, mas nunca deixou de lado o contato com sua terra natal e é tido como um político conciliador, embora crítico do atual Governo Federal e do Governo do Distrito Federal. Não tolera injustiças nem atos de desacato aos direitos humanos no país.

Assista aqui, a íntegra da entrevista sobre a vida de Chico Vigilante:

 

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