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Audiência pública denuncia racismo ambiental na construção da termelétrica no DF e reforça rejeição popular

Participei da audiência pública Impactos da Instalação da Usina Termoelétrica no DF, uma iniciativa do mandato do deputado distrital Gabriel Magno (PT), que reuniu moradores de todas as regiões do Distrito Federal, além de especialistas e organizações ambientais. O debate escancarou o racismo ambiental por trás da escolha do local para a usina: um empreendimento poluente e destrutivo sendo imposto à população trabalhadora e negra das regiões periféricas, enquanto as áreas nobres permanecem intocadas.

Essa usina trará impactos devastadores. Com chaminés de 130 metros de altura lançando milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, ela consumirá 110 mil litros de água por hora, destruindo 31,91 hectares de Cerrado e agravando ainda mais a crise hídrica. E tudo isso para gerar míseros 80 empregos especializados.

Um dos pontos mais chocantes dessa discussão foi a possível remoção da Escola Classe Guariroba, que atende 350 alunos e pode ser demolida para dar lugar à termelétrica. A indignação da população foi enorme. Como deputado, reforço meu compromisso de lutar para que essas crianças não sejam prejudicadas por esse absurdo.

Outro tema fundamental que debatemos foi a preservação do Rio Melchior, um importante recurso hídrico para o DF. Tenho um trabalho contínuo na luta pela recuperação desse rio e de outros mananciais ameaçados, pois sei que garantir água limpa e proteção ambiental é fundamental para a vida da nossa população. A construção dessa termelétrica impactará diretamente o Rio Melchior, tornando ainda mais urgente a necessidade de impedir esse projeto.

Além disso, ficou evidente que essa usina está sendo imposta à população sem transparência. O processo foi feito de forma obscura, sem os estudos necessários e sem debate público adequado. Durante a audiência, exigimos que os órgãos responsáveis divulguem todos os estudos ambientais e sociais para que a sociedade tenha acesso às informações e possa cobrar as medidas necessárias para mitigar os impactos desse empreendimento.

É importante ressaltar que esse projeto só avançou graças à privatização da Eletrobras, aprovada pelo governo Bolsonaro, um ataque direto à soberania energética do país. Esse é mais um reflexo da política de destruição da extrema-direita, que entrega nosso patrimônio às mãos de grandes empresários sem qualquer compromisso com o povo. O resultado dessa entrega já vemos agora: uma usina poluente sendo imposta sem transparência e com impactos devastadores para a população do DF.

A deputada federal Erika Kokay (PT), que também participou da audiência, propôs um debate na Câmara Federal para ampliar a mobilização contra essa usina. No âmbito distrital, apenas a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) esteve presente e apresentou explicações técnicas sobre o impacto do consumo de água.

Não podemos permitir que um projeto feito às escondidas, sem compromisso com o meio ambiente e com a vida da população, seja levado adiante. A luta contra essa termelétrica continua, e eu estarei ao lado do povo do Distrito Federal para impedir esse crime ambiental e social. Seguiremos mobilizados para barrar essa ameaça e garantir um futuro sustentável e justo para todos.

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