A ideia de privatizar as empresas públicas do Distrito Federal não terá futuro dentro da Câmara Legislativa. Pelo menos, foi o que garantiram vários distritais em audiência pública realizada nesta terça-feira. A audiência trouxe ao plenário da CLDF funcionários e representantes dos sindicatos da Caesb, BRB, CEB, Metrô, dentre outras empresas públicas do DF.
Contrário à ideia, o deputado Chico Vigilante, coautor da iniciativa, as empresas devem ser fortalecidas, ao invés da privatização. Ele lembrou que as companhias estão vivendo novamente o temor da Época FHC. “O Brasil passa por uma nova onda neoliberal. Não podemos permitir sob hipótese nenhuma que essas empresas sejam vendidas”, afirmou.
O secretário-adjunto de Economia e Desenvolvimento Sustentável, Luiz Fernando Nascimento, afirmou que não há projeto de privatização em estudo pela secretaria. Ele afirmou que os secretários que defenderam a ideia da privatização, externaram a opinião de cunho pessoal, não do governo.
O líder do Partido dos Trabalhadores na CLDF, deputado Ricardo Vale, foi taxativo. Para ele, com a privatização, a sociedade brasiliense vai perder a finalidade social das empresas. “As empresas passarão a visar ao lucro”, avaliou.
Para o secretário-geral do Sindicato dos Bancários, Cristiano Severo, o governador Rollemberg deve manter os compromissos assumidos durante a campanha de 2014 com os trabalhadores. À época, o então candidato afirmou apoio às empresas.
A diretora do STIU, Fabíola Antezana, tem observado essa ofensiva aos setores estatais em outros Estados. Ela avalia que causará um impacto na economia do DF sem precedentes. “A privatização vai trazer um impacto na tarifa e a piora dos serviços prestados”, disse.
Também contrário à privatização, o presidente da CLDF, deputado Joe Vale, avaliou que o governo tem que dar segurança institucional para seus servidores e empregados. Para ele, os recentes balanços positivos são a prova de que as empresas públicas têm condições de prestar bons serviços à população do DF.
O líder do governo na CLDF, deputado Agaciel Maia, também afirmou ser contra a privatização das empresas públicas. Ele avalia que o Brasil ainda é um país que carece de muita infraestrutura básica. “É ruim para o povo porque perde a finalidade social”, avaliou.
Para o presidente da CUT/Brasília, Rodrigo Brito, desde o início do mandato, o Governo Rollemberg dá provas que não cumpre os acordos firmados, principalmente, após o golpe do ano passado. Para ele, o GDF reproduz o que o governo federal faz. “O Governo do Distrito Federal é correia de transmissão do governo Temer”, afirmou.
Para a deputada federal Erika Kokay, as empresas públicas são do povo de Brasília e não pertencem a determinado governo ou secretariado. “Não se pode colocar as empresas públicas como balcão de negócios”, afirmou.
Estudos contrários
O diretor do Dieese, Max Leno Almeida, informou que o departamento tem realizado estudos para verificar as consequências das privatizações em outras unidades da federação. Ele avalia que a estratégia neoliberal do governo federal está chegando ao governo local. “Há um conjunto de políticas desenvolvidas pelo governo federal um rebatimento nos governos locais. É uma política de estado mínimo”, avaliou.
Também na mesma direção foi o diretor de comunicação da Caesb, Alexandre Marinho Pimenta. Ele informou que há no mundo diversos casos internacionais de processos de reestatização. Pimenta contou que importantes órgãos, como ONU e o Banco Mundial estão se manifestando contrariamente às privatizações.
A audiência pública foi transmitida ao vivo pelo Facebook do deputado e a íntegra está disponível em Facebook.com/ChicoVigilanteOficial


